Organização Contábil Carlos Muller

Boletim do Empresário
agosto 2011

Empreendedorismo | Empresas & Sociedade

Crescer com recursos próprios ou de terceiros?

Quais as vantagens e desvantagens de tentar crescer com recursos próprios? Usar capital de terceiros seria uma alternativa segura? Estas dúvidas são recorrentes no meio empresarial porque, em ambos os casos, existem fatores que podem fugir do controle do empreendedor. Mas são riscos mensuráveis, que permitem colocar ambas as opções em um mesmo patamar de escolha, desde que se tenha bem definido os limites operacionais e conceituais de quem vai tomar a decisão.

Antes de avançar, entenda 'limites conceituais' como a aceitação do empresário para o risco, facilidades para se relacionar com eventuais sócios, disposição para compartilhar informações estratégicas e sigilosas com outras pessoas, além de versatilidade para seguir orientações externas, que não estavam no plano de gestão anterior. Com base nesses parâmetros, que vão definir o perfil do empresário em questão, fica mais fácil pensar a melhor forma de ampliar os investimentos.

Ter bem demarcada a área de atuação da empresa no mercado e as características do empreendimento também conta muito. Se é de produtos e serviços com demanda elevada. Se a demanda é concentrada ou pulverizada. Se existe um mercado consolidado para os produtos ou serviços ou se a clientela é volátil. Se a manutenção da estrutura é dispendiosa. Se o nível tecnológico é avançado ou de baixa tecnologia. Se a atualização tecnológica precisa ser permanente ou não. Enfim, é preciso saber se o mercado é de alto risco ou não.

Feito o mapeamento do campo de análise, é preciso ter em mente também que 'capital de terceiros' são recursos externos à empresa, tipo empréstimos ou financiamentos bancários. Já os recursos que chegam por intermédio de investidores fazem parte do chamado 'capital próprio'. Ou seja, quando se fala em capital próprio, está se falando em recursos do fundador ou sócio da empresa ou de investidores que aportam o capital em troca de participação.

Certamente o dinheiro de terceiros permite a ampliação das atividades em tempo acelerado para além daquilo que os próprios recursos permitiriam. Se tudo corre dentro do previsto, os lucros são maiores do que se obteria sem essa força externa. A desvantagem, no caso, é que o empresário se vê obrigado a gerar lucro suficiente para pagar a dívida assumida como capital. E a autonomia do empreendedor nas decisões, com investidor envolvido, fica reduzida. Nesse sentido, é natural que o empresário com perfil ousado tenha maior afinidade por essa escolha.

Nos investimentos com capital próprio, o controle do empresário é total. Pode decidir como e quando crescer, quem contratar, onde investir, como gastar etc. Por outro lado, a desvantagem é que as perspectivas de expansão ficam limitadas ao que o capital permite. O crescimento é mais orgânico, baseado apenas no reinvestimento de parte do lucro. Mesmo assim, o empresário com perfil tradicional tem demonstrado preferência por essa modalidade.

Portanto, a escolha sobre a melhor maneira de alavancar os negócios depende de inúmeros fatores: quanto se quer crescer, em que velocidade e qual a disposição para o risco. É preciso levar em consideração que compartilhar o comando do negócio com um sócio pode ser compensado com o know-how e a estratégia de gestão que vêm juntos. Por isso, é fundamental avaliar bem essas vantagens antes de decidir.

Há ainda o fator juro quando se pensa em levantar recursos no sistema financeiro. Fator que tem dificultado o acesso ao crédito, porque representa aumento de custos operacionais, que podem comprometer a competitividade. Além de exigir garantias que vão além da empresa e tocam no patrimônio pessoal do empresário.

Mesmo assim, a indústria de 'venture' capital, apesar de recente, cresceu bastante nos últimos anos. Com a estabilização da economia e o fortalecimento do mercado de capitais, além das diversas iniciativas públicas de incentivo à inovação e à criação de negócios, assistimos a um significativo aumento de atividade dos investidores.

No caso de empréstimos, recomenda-se também não comprometer como garantia coisas das quais não se pode abrir mão, como equipamentos essenciais à operação. Já no caso de investidores, é importante lembrar que eles passarão a ser sócios da empresa, que precisa estar preparada para fornecer informações sobre o negócio, compartilhar decisões estratégicas e ter seu desempenho monitorado.

Ainda no caso de investidores, uma etapa crucial do processo é a definição do valor da empresa, que determina, por sua vez, qual o percentual de participação a ser entregue para uma determinada quantia investida. Divergências costumam aparecer naturalmente, e é importante que o empresário faça a sua lição de casa e tenha boas justificativas para o valor esperado.

Caso o empreendedor prefira crescer com recursos próprios, as recomendações são mais sutis, pois os riscos são relativamente menores, mas não menos importantes. Um deles é o risco da complacência, de se acostumar com um determinado mercado ou forma de operação e não perceber ameaças surgindo no horizonte. Pode ser um novo produto, um novo concorrente, uma tecnologia que torna a atual obsoleta, um novo modelo de negócio que dissolve os lucros da noite para o dia.

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