Organização Contábil Carlos Muller

Boletim do Empresário
abril 2010

Empreendedorismo | Práticas & Resultados

Planejamento e diálogo para uma administração estratégica

As portas para o desenvolvimento humano precisam estar sempre abertas

No plano do humor, pode-se dizer: se der tudo errado, chame o louco! Em um jogo de várzea, o louco seria aquele reserva esquisitão, com coragem de levar o adversário no peito para chegar ao gol, quando a partida está nos últimos minutos do segundo tempo. No plano empresarial, não existe espaço para o personagem que se arrisca sem parâmetros razoáveis, principalmente em um mercado que requer estratégias claras e coerentes para que o negócio mantenha-se sob controle.

Por isso, se as coisas não andam como o esperado em sua empresa, não adianta pensar no louco, e sim, é preciso recalibrar seu plano de ações de acordo com o cenário econômico do momento. Os ajustes fazem parte do jogo. Mas se você não tem uma estratégia desenhada e caminha sem uma bússola (Planejamento Estratégico), apostando na própria sorte, está na hora de pensar seriamente nesse assunto e dar graças por ainda estar em pé, por não estar perdendo de goleada.

Que o mercado anda instável, não é novidade para ninguém. Novas bolhas se vislumbram na economia global, com consequências imensuráveis. A tendência, portanto, é de flutuações constantes em todos os setores, no Brasil e alhures. Mesmo assim, é possível desenvolver mecanismos que minimizem situações extremas, dessas que dão margem a decisões no escuro. O planejamento estratégico existe para isso.

Pode-se dizer, sem dúvida, que muitas empresas de grande porte, acostumadas a planejamentos rigorosos, também foram perturbadas com a recente crise financeira, que não estava no script. É verdade. No entanto, a maioria sobreviveu, porque tinha um norte e estava embasada interna e externamente em missões e valores que correspondiam a uma necessidade do mercado. Por isso, foram obrigadas apenas a radicalizar no ajuste de suas metas.

Para dar esse salto organizacional, e trabalhar com um pouco mais de previsibilidade, a empresa precisa se sentir um time, discutir internamente suas limitações e ter clareza de seu potencial, estudar o mercado para definir qual será o seu jogo e jogar em busca da superação constante. O empreendedor, nesse campo, precisa se abrir, sem deixar de se proteger das ameaças naturais de um mercado competitivo, em que os próprios colaboradores podem ser seus futuros competidores. Por outro lado, não pode desperdiçar as potencialidades individuais, que precisam ser usadas a favor do projeto que comanda.

Flexibilidade, palavra chave

As portas para o desenvolvimento humano precisam estar sempre abertas. Todo colaborador que queira crescer, não deve se prender a barreiras e sim, superá-las. Essa superação é sempre salutar, porque corresponde também a um estímulo para a superação de toda a equipe. A contrapartida, para aquele que almeja ampliar sua remuneração, deve ser a ampliação do resultado dos negócios, seja com mais vendas, com a descoberta de novos mercados, desenvolvendo novos produtos, a criação de mecanismos que reduzam desperdícios, enfim, formas de ganhos mensuráveis e compartilháveis.

O empresário também não pode mais se achar uma ilha. Pois sempre que se fecha em padrões antiquados, com a autoridade de outrora, perde oportunidades de melhorar seu desempenho e crescer com a equipe. O pes-soal foge em busca de empresas mais organizadas e respeitadoras de talentos. A ilusão do poder, aos moldes antigos, é o melhor caminho para ficar parado no tempo e esmorecer, gradativamente.

As crises surgem, ameaçam e se vão. A empresa precisa aprender a navegar na onda da incerteza e sobreviver. Patrões e colaboradores precisam se desafiar, sempre tendo em vista o crescimento individual e coletivo, que repercute diretamente no crescimento dos negócios. Para essa dinâmica ganhar força, não se pode perder de vista um bom planejamento estratégico e uma gestão empresarial viva e pulsante, baseada no diálogo, valorizando sempre as pessoas, para que elas se ajustem aos novos tempos. Com um time assim, mesmo diante das maiores dificuldades, jamais o técnico precisará escalar o louco.

Afinal, o que é planejamento estratégico?

A função do planejamento estratégico é estabelecer objetivos claros, definir os meios para atingi-los, mensurar os recursos necessários e identificar onde e como obter esses recursos. É dar rumo às ideias para que as ações aconteçam da melhor forma possível, fora do campo da imprevisibilidade, minimizando erros, desgaste de energia e dinheiro. O planejamento pode ser feito em três dimensões: estratégico, tático e operacional.

Planejamento estratégico

Avalia o cumprimento da missão dentro do contexto interno e externo. Tanto o olhar interno como o externo deve estar fundamentado na interdependência e complementaridade.

Planejamento tático

Determina os caminhos da superação dos desafios. São as metas de curto prazo que garantem as ações efetivas que definem as melhores maneiras de atingir os objetivos.

Planejamento operacional

São formas de utilizar os recursos disponíveis para a execução da estratégia. Define os recursos necessários para desenvolver as atividades previstas, os procedimentos, os produtos ou resultados finais, os prazos e os responsáveis.

Missão, visão, valores e estratégias

Definir a missão e a visão da organização faz parte do planejamento estratégico. A visão deve definir a razão pela qual a organização existe por meio de uma frase curta que toque o coração das pessoas. Já a missão deve explicar qual o objetivo de sua existência, mostrando as ações que a organização realizará para chegar a sua visão.

Internamente, devem ser analisados os pontos fortes e fracos da organização. Os pontos fortes são aquelas variáveis que somam. Já os pontos fracos são aquelas que distanciam a organização de sua missão.

A análise do ambiente externo deve conter as oportunidades e as ameaças. Oportunidades são variáveis que podem oferecer condições positivas para cumprir a missão. Já as ameaças podem gerar situações desfavoráveis à organização. A análise deve ser feita no sentido de aproveitar as oportunidades e evitar as ameaças e, se houver mudanças externas, a organização possa se adaptar sem alterar sua missão, visão e valores.

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