Organização Contábil Carlos Muller

Boletim do Empresário
agosto 2008

Empreendedorismo | Práticas & Resultados

Família S.A.

O período indicado para início do processo sucessório é a adolescência

Dando continuidade à série sobre sucessão, iniciada na edição passada do Boletim do Empresário, abordaremos, nesta segunda matéria, o momento ideal para iniciar o processo sucessório no comando de uma empresa. É preciso pensar com antecedência no assunto e planejá-lo para que a substituição seja feita com calma e segurança. Mas quando é o período correto de começar essa sucessão?

Para o consultor em gestão empresarial e gerenciamento de riscos, Tancredo Otaviano Dias, é na adolescência do sucessor o período ideal para se realizar o início do processo sucessório. “É importante ressaltar que esse processo, geralmente, é longo e que também a empresa deve ser preparada para dar o adequado suporte para o sucesso do mesmo”, afirma.

O momento de preparação deve começar, prioritariamente, com o respeito ao adolescente, que não deve ser forçado ao processo de sucessão. Quando ele apresentar interesse em participar da transição, o primeiro passo é conhecer o seu perfil pessoal, para identificar os cargos na empresa com os quais ele tem mais aptidão.

Segundo Dias, é a partir deste momento que a formação e a experiência profissional devem ser aplicadas, inclusive fora da empresa. “É importante que o adolescente tenha a competência necessária para atingir um bom desempenho e possa contribuir efetivamente para o sucesso da empresa”, ressalta o consultor.

Outro fator importante nesse processo é o papel da família. Ela pode influenciar positiva ou negativamente. Para evitar esta última, devem prevalecer as reais necessidades da empresa e das partes envolvidas sobre os interesses individuais ou de pequenos grupos. “Isto porque, ainda, a família depende dos resultados da empresa”, lembra Dias.

O fator “felicidade do sucessor” deve ser levado em conta, buscando o seu adequado encaixe na organização e sucesso profissional. Porém, nem sempre todos os esforços são recompensados e, caso o sucessor da família não queira entrar para a empresa, há quatro alternativas básicas para buscar este processo sucessório.

Alternativas

É preciso contratar um gestor competente e confiável para estabelecer uma sistemática adequada para o monitoramento do desempenho dos mesmos, que permita a tomada de ações corretivas, quando necessárias. Também é importante buscar um sócio, ou abrir o capital da empresa. A última alternativa, segundo Dias, é vendê-la.

Outra possibilidade ainda é a preparação de um parente mais próximo. Porém, neste caso, deverá haver um maior cuidado para assegurar a aceitação, apoio e harmonia entre os membros da família. Com isso, evita-se ciúmes, restrições e outros tipos de dificuldades durante a sucessão. Para Dias, o pior perfil pessoal de um sucessor é o equivalente ao de uma criança mimada, pois este pode destruir uma empresa em pouco tempo.

“Mesmo um processo de sucessão bem planejado e conduzido não assegura 100% de sucesso, em todos os casos. O empresário deve definir e implementar a melhor alternativa para o seu caso particular”, relembra o consultor. Dessa forma, a sucessão ideal seria aquela que combina no sucessor os adequados: perfil pessoal, formação, experiência profissional, comprometimento e empenho para atender os objetivos e as reais necessidades da empresa.

A importância da estrutura familiar

O CEDE (Centro de Estudos de Direito Empresarial) realizou um levantamento, em 2003, que apontou que em um grande grupo econômico sempre há presença de uma estrutura familiar. Cerca de 35% das maiores empresas do mundo são controladas por grupos familiares.

No Brasil, dos mais de 300 grupos privados, pelo menos 270 são empresas familiares. Estas são responsáveis por 21% do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro, segundo o estudo. Nestas empresas, 33% passam da primeira para a segunda geração e 50% destas realizam a sucessão para a terceira geração.

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