
ampliar imagem CARAVAGGIO, Michelangelo | O Amor Conquista Tudo [Amor Vincit Omnia] | 1602 | Óleo sobre tela | 113 cm × 156 cm | Gemäldegalerie, Berlin
Os famosos versos de Virgílio em Éclogas (X, 69), "o amor conquista tudo", tornaram-se instantaneamente uma máxima, repetida e citada em várias obras. O poeta invoca estes versos quando fala de um personagem que foi traído e abandonado, no entanto ele se mantém imune aos males da paixão, seu amor é mais forte e chega até a atropelar a razão.
Estes versos serviram de inspiração também a um dos maiores pintores de todos os tempos, Caravaggio. O mestre italiano tomou a ideia de Virgílio e a representou com toda sua técnica na obra "Amor Vincit Omnia".
Na tela fica evidente o jogo de claro-escuro, batizado como tenebrismo, característico de Caravaggio. O amor é representado pela figura mitológica do cupido, retratado com muito realismo, mas evocando a traquinagem e a inocência da infância, que denotam a pureza do amor. Em sua mão direita, um conjunto de flechas, item tradicional ao personagem, com o qual é capaz de lançar o amor em flechadas certeiras nos corações humanos.
Caravaggio ainda nos mostra como o amor se sobressai à razão. Ele retrata o cupido descendo de uma mesa, após ter derrubado vários objetos ao chão. Estes objetos são muito significativos, cada um deles representa um empreendimento humano, realizado a partir da ciência e da razão. Vemos instrumentos e partituras musicais, lápis, manuscrito, armadura de guerra, régua e compasso, globo astronômico, folhas de louro e uma coroa.
Ao colocar o amor sobre todos estes elementos, Caravaggio quer ressaltar, assim como o fez Virgílio, o quão vulneráveis somos a este sentimento. Amor Vincit Omnia, o amor conquista tudo, como uma força da natureza. Resta-nos então também ceder ao amor, como concluiu o poeta.